Foco e disciplina [COMPLETO] - Vozes do Imaginário

L.Maverick
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Seja bem vindo ao primeiro conto postado pela gente, espero que você goste da experiência e que comente caso queira compartilhar ideias, com imensa felicidade lhe apresento a Vozes do Imaginário, eu sou Lawliet Maverick, se espero que goste desse pequeno conto.


Informações do Livro

Nome do livro: Foco e disciplina

Sinopse: Como o foco e disciplina influência na vida de uma pessoa, muitas pessoas pensam e pensam que ter muito foco as ajudariam a conquistar as melhores coisas da vida, o quanto disso é verdade? Status atual do livro: Completo

Autor por: Lawliet Maverick

Revisado por: Carolina Shiro

Categorias: Drama, tragédia, ficção

Sub-temas: Determinação, superação e relacionamento familiar

Capa do livro:




Capítulo Único: Me divirto quando estiver rico!


–– Não, eu não empresto, já te disse que tenho que terminar de estudar e vou precisar disso depois –– digo com firmeza.


–– Você não está usando agora, o que custa me emprestar pra escutar um pouco de música? –– Ela retruca chateada com uma voz quase de choro.


Minha querida irmã, como você pode ser tão irracional? Por mais que meu amor por você seja maior que tudo nesse mundo, não consigo perdoar as coisas mais burras que diz.


–– Você tem 9 anos, pra que você precisa escutar música nessa idade? Na sua idade eu não tinha essa mordomia, já te disse que economizei por...


–– Por 5 anos toda moeda que você ganhava e achava, uau, que legal. Você não tinha oportunidade de ter um celular, mas eu tenho! Por que você não me deixa escutar por 5 minutos? É só uma música. –– Completa o que eu iria dizer.


–– Se eu entregar meu celular, além de gastar a bateria, você vai se acostumar e não vai entender o esforço do trabalho duro e o valor das coisas que não tem –– finalizei firmemente.


Se um dia eu conseguir me tornar rico com meus estudos, eu com certeza não me preocuparia em dar tudo que minha irmã quer, mas agora que não temos muito quero que ela entenda o valor das coisas, para não subir a cabeça quando tiver dinheiro.


–– Você quer que eu acorde às 5 da manhã pra procurar latinha na rua igual você fazia? –– fala com um tom indignado, com a voz cada vez mais alta, conforme fala fica evidente o tremor em sua voz já puxando pra um choro.


–– Para de gritar Mônica, o pessoal do orfanato vai brigar contigo – interrompi antes dela começar a se espernear.


–– Eu não ligo, já que tenho um irmão tão chato e irritante como você, eu te odeio Eduardo!

E ela gritou com lágrimas nos olhos e saiu correndo do nosso quarto. Não entendo a necessidade de gastar energia com isso, nosso quarto é compartilhado e não tem muitos lugares para ela ficar onde não tenha muita gente.


Totalmente sem noção, mas não importa no momento, olhando em meu celular notei que perdi cerca de 3 minutos ensinando para minha irmã a maneira correta de pensar. Eu sei que ela vai entender quando crescer e talvez até coloque na bibliografia o quão fenomenal eu fui como irmão dela. Claro, quando a gente ficar rico, ela ficará famosa fácil, e tenho certeza que ela escreverá bastante livros sobre nossa vida árdua.


18h37min


Já é hora de eu me preparar para sair, a faculdade é longe e não tenho tempo a perder para meu sucesso.


Pego minha mochila e guardo meu celular no bolso, já prevendo que algo poderia me atrapalhar, preparei tudo na maior velocidade possível e sai do quarto.


Caminhando pelo corredor, apressadamente, noto duas crianças pequenas, Diogo e Mikael, brincando com as mãos como se tivessem armas.


–– Pow! Pow! Pow! Parado seu policial, eu estou armado e vou atirar em você! –– disse Diogo com a mão com "arma" apontada pro teto.


–– Ah é? Pow! Pow! O policial sou eu, e você 'mim' obedece, parado aí seu ladrão do mal! - responde Mikael gritando, Mikael está de costas para Diogo, como ele pensa que vai prender ele assim?


–– Ah não, um policial armado, então toma isso pow! Pow! Pow!


–– Mas eu escuto seus tiros e desvio deles, agora você está sem bala ladrão do mal!


É o que!?


Que criança mais burra, o que ele estuda na escola? Como ele não sabe que a velocidade da bala é maior que a velocidade do som? Se você tomar um tiro você não escuta a bala e muito menos consegue desviar.


Eu realmente tenho que estudar para minha irmã não se tornar gente assim, Deus me livre.


Passei longe dessas crianças e fui direto para a saída. Tadinhos deles, com essas brincadeiras e falta de estudo eles nunca vão entender os benefícios que ganho, vejo que só eu nesse orfanato inteiro conseguiu entrar na faculdade com 16 anos, o único que pode sair sem a supervisão de ninguém por ser de extrema confiança, entendo que ninguém se compara a mim.


Já até vejo meu futuro quando me tornar Médico renomado da cidade, o título das revistas será "das ruas catando latinhas até cirurgião mais bem pago do país", serei uma celebridade e uma enorme referência de superação para o mundo inteiro, minha bibliografia terá inúmeras traduções para diversos países.


–– Olha se não é o 'Duardo', o menino prodígio. –– Uma senhora com uma voz bem doce brinca comigo, nem preciso olhar para saber quem é.


–– Olha se não é a Claudete, a cozinheira mais carismática da cidade. - Virei meu rosto e acenei, continuei andando para a saída, não posso me atrasar.


–– Já está indo pra faculdade?


–– Já. Tentarei chegar antes da meia noite hoje. –– Me distanciei mais, ela é faladeira, se eu ficar perto perderei meu tempo.


Caminhando para a saída ela disse mais algo, mas não consegui ouvir.


23h17min


Como é ótimo conseguir pegar o ônibus a tempo, odeio quando atrasa qualquer um dos três ônibus pra ir ou voltar da faculdade, o metrô nunca atrasa, por que eles não criam mais metrôs? Os ônibus só atrapalham, são muito lentos.


Independente disso, agora é 23:17, vou chegar no orfanato por volta das 23:50, consegui pegar o primeiro ônibus 5 minutos adiantado, o motorista é rápido e peguei o segundo ônibus correndo até ele e adiantei 9 minutos, o metrô é sempre rápido, e se não tiver trânsito agora eu chegarei bem cedo em casa.


Que ótimo, eu adoraria reestudar o que o professor disse, ele não sabe ensinar nada bem, toda vez que ele diz algo eu fico confuso, e se eu pergunto, fica estressado, como alguém tão incapacitado como ele dá aula pra faculdade mais renomada do país? Nossa política é extremamente falha, as pessoas do poder contratam qualquer um.


23h58min


Que droga de trânsito! Atrasou em 10 minutos meus planos... AAAAAAAA! Como eu odeio essa rua, pra que uma avenida desse tamanho se não vai ter ônibus passando aqui, ter que caminhar o resto do caminho é o cúmulo!


Quer saber, tô nem aí, vou tentar cortar caminho, o Google deve saber um jeito mais rápido pra mim, e... olha só, eu sabia! Economizo 3 minutos se seguir por essas vielas e becos, não compensa os 10 minutos que perdi, mas ajuda em algo pelo menos.


Vire à esquerda, segue reto por 100m, certo, vire a direita, okay. Está perto.


–– Vai ‘muleque’, passa o celular!


Uma voz aguda e desesperada surge das sombras, um garoto de no máximo 11 anos aponta uma arma para mim com as mãos trêmulas. Mas que falta de respeito! No futuro terei que salvar gente baleada e muito mais, não tenho tempo pra perder com você garoto.


–– Sai da frente menino, não tenho tempo pra perder com brincadeiras de uma crian...


*POW*


O som...


O som de uma bala, e... eu ouvi... não pode ser? Não é de brinquedo? Olhei para baixo e senti meu peito um pouco dolorido.


V... vermelho... meu sangue é muito vermelho, por que???


–– Meu Deus, desculpa, eu não queria atirar! Só queria seu celular...


–– Não menino, não era pra você atirar! –– Escutei a voz de outra pessoa ao fundo, mas bem distante mesmo, enquanto algo apita dentro do meu ouvido... mas que piada engraçada.


-Eu avisei que não era para entregar carregada pra ele... ––  Outra voz ao fundo gritou correndo, vi alguns rapazes mais velhos, eles parecem bem assustados, mas não há com o que eu me preocupar, eles não queriam atirar em mim, com certeza vão me levar pro hospital e eu ficarei bem, não será isso que vai estragar meu sucesso, será muito bom colocar na bibliografia essa parte...


Como dói...


O garoto que atirou em mim estava segurando o gatilho com a mão trêmula, ele deve ter atirado sem querer, ele continua segurando o gatilho, que criança burra, eu tenho que falar pra ela largar o gatilho? É só o que me faltava...


Deixa-me ensinar pra essa criança burra.


–– Me... meni...


[FIM]


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